A exposição inédita no Brasil “Movimento – Linguagens da arte cinética italiana dos anos 1950-70”, depois de passar pelo Peru, Equador e Chile, chega a São Paulo, no Instituto Tomie Othake, comandado pelo querido e competente Ricardo Othake (na foto em destaque), reunindo 50 obras compostas por pinturas, colagens, vídeos, esculturas, objetos e peças de roupa concebidos por grandes nomes da arte óptica e cinética italiana, entre os quais, Bruno Munari, Getulio Alviani e Marina Apollonio.
Como ressalta a curadora da mostra, Micol Di Veroli, especialista em arte moderna e contemporânea, na arte cinética o movimento é fundamental e pode ser real, com a ajuda de aparatos mecânicos, ou ilusórios e ópticos, obtidos por efeitos de luz. “O trabalho deve estimular a percepção visual, torná-la ativa e, no lugar de um artista romântico irracional e instintivo, na arte cinética ele é antes de tudo um trabalhador cultural, que se articula com engenheiros e cientistas, um ativista político que sabe combinar a arte com a sociedade”.
Para Di Veroli, “a arte cinética se auto impõe o rigor de fazer na esfera criativa um contato analítico e disciplinado da arte, que procura reunir arte, ciência, sociedade, artista e público”. Parte dos participantes da exposição notabilizou-se no que, na Itália, chamou-se de “Arte Programmata”, conjunto de trabalhos de um grupo de artistas italianos ativos entre o final dos anos cinquenta e início dos anos sessenta, que produziu obras dirigidas mecanicamente em uma série de sequências programadas, pautadas por padrões bem definidos. Cunhada por Bruno Munari e explicitada por Umberto Eco, em seu texto no Almanacco Letterario Bompiani, de 1961, a Arte Programmata surge na exposição promovida pelo showroom Olivetti em Milão, em 1962.
A exposição reúne obras de Bruno Munari, o precursor das pesquisas sobre a percepção e indiscutível ponto de referência do design e da didática; Getulio Alviani artista que, ao desenvolver as premissas teórica e prática da Bauhaus, promoveu inovações artísticas a partir da ciência; Marina Apollonio, uma das figuras da Itália mais representativas do movimento ótico – cinético internacional, destaca-se por utilizar materiais industriais modernos para criar estruturas calculadas as quais, diante do espectador, se transformam em espaços dinâmicos e flutuantes; Gruppo T (Giovanni Anceschi, Davide Boriani, Gianni Colombo, Gabriele Di Chiggio e Manfredo Massironi), autor da “Miriorama 1” (1959), declaração considerada uma plataforma teórica e um manifesto técnico cujas palavras-chave são tempo-espaço, transformação, variação e participação; Gruppo N (Alberto Biasi, Edoardo Landi, Toni Costa, Ennio Chiggio e Manfredo Massironi), coletivo interessado em explorar possibilidades ópticas para serem aplicadas nas obras de arte e, coletivamente, concebia trabalhos que lidavam com o jogo da percepção de ilusões ópticas; e Gruppo 63 (Lucia Di Luciano, Lia Drei, Francesco Guerrieri e Giovanni Pizzo), tendo como um dos fundadores Umberto Eco, é composto por intelectuais italianos que se contrapõem ao conservadorismo cultural, ao buscar renovação da linguagem literária e trazer à tona temas relacionados com a realidade econômica da sociedade da época e, particularmente na arte, a pesquisa parte de explorações de ordem lógico-matemática.
A mostra exibe ainda 10 vestidos do estilista Fausto Sarli que revelam ao público as conexões entre arte e moda nas décadas em questão.
O “Anno dell’Italia in America Latina: storie, viaggi, scoperte e imprese” é um programa promovido pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália, que pretende integrar e valorizar as mil faces da presença italiana no continente latinoamericano. Desta forma, as mais variadas iniciativas estão sendo realizadas ao longo de 2016 pelos Institutos Italianos de Cultura, pelas Embaixadas da Itália e Consulados italianos em toda a América Latina.
De -17 de março a 1º de maio de 2016
De- terça a domingo, das 11h às 20h –
Entrada franca
Instituto Tomie Ohtake Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) – Pinheiros SP Metrô mais próximo – Estação Faria Lima/Linha 4 – amarela
Fone: 11 2245 1900
