Aumento da frota circulante nos últimos anos gera demanda, mas há desafios a serem superados, como mão de obra qualificada, acesso às informações técnicas para aplicação da peça e convencer o motorista a cuidar de forma preventiva do veículo. Temas discutidos na 21ª edição do Seminário da Reposição Automotiva, realizado  em São Paulo.

O evento que reuniu representantes de todo o setor de reposição (fabricantes, distribuidores, varejo e oficinas independentes) destacou as oportunidades e desafios que o mercado enfrenta. Os dirigentes das entidades Sindipeças, Andap, Sicap, Sincopeças-SP, Sindirepa Nacional e Sindirepa-SP e GMA – Grupo de Manutenção Automotiva, abriram o seminário com mensagens positivas. Segundo a editora Photon, organizadora do evento, mais de 468 participantes estiveram presentes.

Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional, explicou que todas as entidades colaboraram para formatar a programação e que o mercado está num momento de profissionalização. Como o coordenador desta edição também destacou pontos que foram discutidos no painel sobre garantia, o qual foi mediador.

Já Francisco de La Tôrre, presidente do Sincopeças-SP, considerou a entrada de mais de 3,7 milhões de veículos no mercado de reposição que possuem mais de três anos e estão saindo da garantia de fábrica. “A frota em circulação gera oportunidades para o mercado de reposição”, considerou de La Tôrre.

Esse também foi o recado de Paulo Butori, presidente do Sindipeças, apontando queda nas vendas da indústria de autopeças para montadoras, enquanto reposição e exportação registram crescimento.

Renato Giannini apontou a alta carga tributária que incide sobre o setor e a Andap juntamente com outras entidades têm trabalhado sobre esta questão e contrataram pesquisa da FVG – Fundação Getúlio Vargas.

Entre as ações realizadas pelo GMA – Grupo de Manutenção Automotiva, Elias Mufarej, coordenador do grupo que reúne (Sindipeças, Andap, Sincopeças-SP,  Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional), apontou o trabalho realizado para que a lei de desmanche federal tivesse a mesma composição da legislação implantada no Estado de São Paulo que eliminou itens de segurança dos veículos. Contudo, a ação mais relevante do GMA neste ano foi o lançamento do aplicativo Carro 100% que faz parte da nova etapa do programa Carro 100% / Caminhão 100% / Moto 100%. Para falar sobre o funcionamento do aplicativo e as vantagens para o dono do carro, como recurso que facilita a manutenção, além de ser um instrumento que deve ser utilizado pelo reparador para orientar o consumidor, foram tema da palestra de Emerson Mello, responsável pela área de reposição no Sindipeças e assessor do GMA.

Apesar do momento atual da economia e da política do País, o mercado da reposição automotiva, que vem sofrendo modificações para atender a frota circulante cada vez mais diversificada, deve crescer este ano e nos próximos. Segundo Marrtin Bodewig, diretor da Roland Berger, consultora internacional especializada no setor automotivo, que realizou estudo deste mercado, revelou os motivos para isso: aumento da frota circulante, sendo que a faixa de veículos entre 3 e 15 anos vai aumentar ainda mais, com destaque para modelos SUVs que tomam espaço no segmento de médios. Entre veículos pesados, o mesmo deve acontecer com os semipesados. “Ainda que os consumidores deixem de fazer a manutenção preventiva, tem a corretiva, esta é imprescindível para que o veículo continue rodando”, contou Bodewig.  Entre as tendências, destacou movimento do varejo e distribuidores muito competitivos, as oficinas independentes precisam conviver com as redes de serviços e as concessionárias enxergam o mercado de reposição como negócio interessante diante da queda das vendas de veículos novos. “Várias montadoras estão criando modelos para atrair o consumidor”.  Outras questões levantadas são o comércio eletrônico entrando, com tendência de crescer, mercado precisa ter disponibilidade da peça de acordo com a demanda, o que é um desafio diante da complexidade e diversificação da frota.

Como sugestão, Martin apontou ideias para o mercado, tais como, integração da cadeia, melhorar a relação com o consumidor, adotar gestão com governança corporativa nas empresas familiares e desenvolver planejamento estratégico, gestão do estoque, padronização das informações técnicas por meio de catálogo, investimento em equipamento e mão de obra da equipe de profissionais.