A Miolo Wine Group (MWG) passa a integrar um seleto grupo global ao certificar suas quatro vinícolas brasileiras como Carbono Neutro — um marco relevante para a vitivinicultura nacional, ao colocar a sustentabilidade no centro da produção e comprovar que suas operações capturam mais carbono do que emitem. Em um cenário mundial de urgência por práticas de responsabilidade social, ambiental e de governança, a Miolo demonstra que, com a terra, os vinhedos e a gestão atuando em conjunto, é possível elaborar vinho em escala com eficiência e responsabilidade, transformando solo e vinhedos em ativos ambientais e a produção em parte da resposta às mudanças climáticas. Entrega oficial do certificado foi realizada no NB Steak JK, em São Paulo, na tarde de ontem ,8 de abril. Para brindar a conquista, foi lançado o Miolo Wild Gamay 2026, o primeiro vinho tinto da safra.

foto divulgação

A certificação resulta de um conjunto de práticas que já vinham sendo adotadas de forma integrada nas quatro unidades brasileiras do grupo — Vinícola Miolo (Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves/RS), Vinícola Seival (Campanha Meridional – Candiota/RS), Vinícola Almadén (Campanha Central – Santana do Livramento/RS) e Vinícola Terranova (Vale do São Francisco – Casa Nova/BA). Entre as medidas que sustentam este desempenho estão o manejo responsável dos vinhedos, com uso de plantas de cobertura e fixação biológica de nitrogênio, a redução do uso de insumos químicos, a melhoria da eficiência operacional, o monitoramento detalhado do consumo de combustíveis, energia e gases, o uso de eletricidade de fonte renovável e a preservação de áreas ambientais dentro das propriedades. Somado a isso, os próprios vinhedos atuam como parte da solução ao capturar e armazenar carbono na biomassa das videiras.

Família Miolo foto divulgação

Elaborado com base no ano de 2025 e seguindo as diretrizes do GHG Protocol, o inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE) mostrou que as operações da empresa registraram 1.343,04 toneladas de CO₂e em emissões e 2.431,44 toneladas de CO₂e em remoções anuais, o que resultou em um saldo líquido negativo de 1.088,40 toneladas de CO₂e. Na prática, isso significa que, além de atingir a condição de Carbono Neutro, a MWG apresenta desempenho carbono negativo, ao remover mais carbono do que emite. Considerando o saldo líquido negativo de 1.048,40 de CO₂e por ano e que o grupo Miolo coloca 10 milhões de garrafas no mercado anualmente, cada garrafa representa uma captura de 108,84 g de CO₂e.

Mais do que um reconhecimento técnico, a conquista reafirma uma convicção histórica da marca: tudo começa na terra. É no solo, no respeito aos ciclos da natureza, no cuidado com o território e na relação com as comunidades que a Miolo sustenta sua forma de produzir vinho. “Acreditamos que elaborar grandes vinhos implica, necessariamente, em um compromisso profundo com as pessoas, o território e o futuro. Nossa trajetória está enraizada na valorização dos diversos terroirs brasileiros, na inovação responsável e no respeito às comunidades que fazem parte da nossa história. Acreditamos firmemente que o crescimento econômico sustentável só é possível quando alinhado a práticas sólidas de governança corporativa, ambiental e social”, destaca o Diretor Superintendente da Miolo Wine Group, Adriano Miolo.

Trabalhando a sustentabilidade para agregar valor a marca
Segundo ele, a certificação consolida uma visão construída ao longo do tempo, desde o vinhedo até a operação industrial. “Ao mensurar, reportar e gerir nossos impactos, reafirmamos nosso compromisso com a melhoria contínua de nossos processos produtivos e com a adoção de práticas que contribuam para a mitigação das mudanças climáticas. Seguiremos investindo em eficiência, governança e sustentabilidade, certos de que o futuro do vinho brasileiro passa pela responsabilidade ambiental e pela geração de valor duradouro para a sociedade”, afirma. “Porque proteger a natureza não é apenas preservar o planeta. É garantir que a terra continue nos oferecendo aquilo que ela tem de mais extraordinário: grandes vinhos”, conclui.

Processo para a Certificação
O levantamento envolveu toda a cadeia produtiva, da produção da uva ao engarrafamento, contemplando as emissões diretas, indiretas e voluntárias. Foram analisados dados relacionados ao consumo de óleo diesel em tratores, gás utilizado em empilhadeiras e na cozinha, recargas de ar-condicionado, equipamentos de refrigeração, energia elétrica, fertilizantes, insumos e deslocamentos corporativos, entre outros. Ao mesmo tempo, foi calculada a capacidade de remoção de carbono dos vinhedos a partir da biomassa das videiras.

Para Nathaly Regina Marchetto Krindges, Coordenadora de Qualidade da Miolo Wine Group, o processo permitiu compreender de forma mais profunda a operação e identificar oportunidades concretas de evolução. “A gente começou entendendo a fundo toda a operação da Miolo. Desde a vinícola até os vinhedos. Energia, combustível, insumos…, tudo foi mapeado. Esse processo mostrou onde estão as nossas principais emissões e, principalmente, onde estão as oportunidades de evoluir. Ficou muito claro o papel estratégico dos vinhedos nisso tudo. Não só como origem do vinho, mas como parte da solução”, ressalta.

No campo, onde nasce o vinho e uma parte decisiva deste resultado, o manejo faz toda a diferença. De acordo com o agrônomo da vinícola, Alécio Demori, o trabalho começa no solo. “Hoje, a gente trabalha com plantas de cobertura, fixação biológica de nitrogênio e redução do uso de insumos químicos. Isso melhora a saúde do solo e aumenta a quantidade de carbono que ele consegue reter. As próprias videiras também fazem parte desse processo. Elas capturam carbono da atmosfera e armazenam ao longo do seu ciclo. Quando a gente soma tudo isso, o resultado é muito claro: a gente consegue retirar mais carbono do que emite”, explica.

Além dos vinhedos próprios, a estrutura territorial do grupo reforça esse compromisso. Nas quatro unidades brasileiras, a Miolo Wine Group reúne 2.249,4 hectares de área total, sendo cerca de 1.000 hectares de vinhedos próprios, além de 103,94 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e 377,07 hectares de Reserva Legal. São áreas que mantêm vegetação nativa, protegem recursos hídricos, preservam a biodiversidade e contribuem para o equilíbrio dos ecossistemas onde a empresa está inserida.

A idealização do projeto foi uma iniciativa conjunta entre a Miolo Wine Group, o Grupo Modarc – Uniagro e a Sumitomo Chemical. O processo de consolidação dos dados, análises técnicas e aplicação das diretrizes foi conduzido pela E2Carbon, empresa especializada em projetos de carbono no setor agropecuário. Segundo o consultor Rafael Melo, CEO da startup envolvida na iniciativa, o trabalho desenvolvido pela Miolo evidencia a força da vitivinicultura brasileira como modelo produtivo capaz de contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas. “No fim, tudo se resume a um balanço. De um lado, as emissões. Do outro, as remoções. E é esse equilíbrio que define se uma empresa é carbono neutro, negativo ou não. No caso da Miolo, o resultado foi muito expressivo. O sistema produtivo e os vinhedos removem mais carbono do que a empresa emite”, observa.

Para Nairo Piña Rojas,”Celebramos a certificação do Grupo Miolo, resultado da parceria com a Uniagro, um importante canal distribuidor da Sumitomo Chemical no Sul do país. Sendo um projeto pioneiro no mercado, um modelo eficiente de colaboração e sustentabilidade aplicada na prática e gerando valor ao cliente. Esse é um exemplo do compromisso de nossa companhia para tornar o agronegócio cada vez mais sustentável”, afirmou o presidente da Sumitomo Chemical América Latina.

O reconhecimento também fortalece a presença da marca no exterior. Para Lucio Motta, Export Manager da MWG, a certificação agrega credibilidade e antecipa uma demanda crescente dos mercados globais. “Essa certificação é extremamente importante para a internacionalização da Miolo. Ela traz credibilidade e mostra que a marca está alinhada às principais tendências globais. No mercado internacional, isso facilita negociações com grandes redes e mercados mais exigentes, como Europa e Estados Unidos. E, olhando para frente, é ainda mais estratégico, porque muitos mercados devem passar a exigir esse tipo de certificação”.

Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente ao ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima, a certificação reforça que sustentabilidade, para a Miolo, não é um discurso paralelo ao negócio. É parte da essência de quem cultiva a terra, interpreta os terroirs brasileiros e entende que o futuro do vinho depende da responsabilidade com o ambiente.

Esse resultado é sustentado por um conjunto consistente de práticas já incorporadas à operação grupo, que evidenciam um compromisso contínuo com a gestão ambiental e a conformidade legal. Entre elas estão a regularização da outorga de uso da água em todas as unidades, Cadastros Ambientais Rurais (CAR) atualizados, análises de solo e de qualidade da água para monitoramento e manejo responsável, além de Certidões Negativas de Débitos (CNDs) ambientais e trabalhistas válidas. A empresa também assegura a destinação correta de resíduos, com rastreabilidade dos processos, e investe em energia limpa, com uso de fonte fotovoltaica. A prática integrada dessas ações ao longo do tempo é o que sustenta e culmina na certificação conquistada.