A estreia na CASACOR São Paulo 2026, que acontece de 2 de junho a 9 de agosto no Parque da Água Branca, marca um novo capítulo na trajetória do arquiteto carioca. Com o ambiente “Torre Paulo”, assinado por Victor Niskier + Arqnisk , o profissional apresenta uma instalação que une arquitetura e memória para interpretar o tema da mostra, “Mente e Coração”.

CASACOR SP 2026 foto Tânia Müller
Em 84 m² distribuídos em três pavimentos do prédio principal da mostra, o espaço foge do conceito tradicional dos lofts e ambientes integrados para assumir a forma simbólica de uma “torre”. A verticalização inspirou não apenas o nome do projeto, mas também sua construção conceitual: a torre surge como metáfora do corpo e da intimidade humana, simultaneamente refúgio, proteção e expressão social.No centro da narrativa está Paulo, personagem fictício criado por Niskier para dar identidade ao ambiente. Homem urbano, bem-sucedido, entre os 40 e 50 anos, Paulo representa muitos habitantes da metrópole paulistana em busca de pertencimento, recolhimento e silêncio em meio à selva de concreto.“Todos temos um pouco de Paulo. Há muitos Paulos em São Paulo. A torre é esse lugar íntimo, esse casulo onde mente e coração tentam encontrar equilíbrio”, explica.
O projeto explora o caráter cenográfico da arquitetura ao criar um percurso imersivo entre os três andares. O visitante acessa o ambiente já pela escada principal, incorporada ao conceito do espaço e transformada em galeria vertical. No terceiro pavimento, o pé-direito é valorizado por paredes expositivas, teto cenográfico e uma imponente estante colmeia revestida em couro envelhecido marrom, peça desenhada pelo próprio arquiteto e que atravessa os níveis superiores da instalação.
No segundo pavimento, coração funcional do home office fictício de Paulo, diferentes atmosferas convivem em harmonia. Próximo à janela monumental voltada para o Parque da Água Branca, surge a área de descompressão com balanço, carrinho de chá e poltrona, peças também autorais da marca Niskier. Uma passarela espelhada cria um percurso “instagramável”, enquanto o estar principal abriga sofá em L e jardim integrado. O ambiente ainda contempla academia equipada com tecnologia de inteligência artificial e estação de trabalho em quartzito Azul Macaúbas.
Tons terrosos e nuances de café fazem referência ao passado histórico do edifício e à importância das exposições agropecuárias no desenvolvimento de São Paulo no século XIX. Já o verde aparece como extensão visual da paisagem do parque, incorporada ao projeto por meio da grande janela existente. A sustentabilidade também orienta as escolhas do projeto. O ambiente utiliza iluminação em LED, revestimentos vinílicos em substituição à madeira natural, marcenaria produzida com polímeros certificados e tecidos desenvolvidos dentro de normas sustentáveis.